domingo, 12 de janeiro de 2014

Não adianta

Aconteceu. Foi bom enquanto durou. Momentos muito bons. Acontece que tu já está acostumada, já está caminhando novamente, conseguiu esquecer, tanto das coisas boas, quanto das ruins. Aí que está o perigo. Com o tempo tu vai ficando anestesiada. Tão anestesiada que não sente mais: nem as ruins. 
Essa época de final de ano, Natal, férias, praia, lembranças. Nem tanto do grande, mais é do pequeno. E a lembrança vai virando uma falta. Sei que ela não deve ser alimentada. Mas é impossível não lembrar de como foi gostoso, das brincadeiras, dos risos, da diversão, dos filmes na cama, das pipocas, da bola na Redenção, de andar de bicicleta, da Tia do Porquinho, lá do início. A sensação de que vivi uma peça por pouco mais de dois anos. Onde eu tinha uma família, uma casa, um filho que não eram meus, mas era como se fossem. Eu acreditei de verdade que eram. E mais, eu vivi uma realidade que eu sonhava. Vivia o futuro, como se já existisse, com Cecília, Mais Um e os cachórros. Até o pinguim, que também deixei pra trás.
Agora é deixar que as lembranças sejam apenas lembranças e fiquem lá. Guardadas. Aconteceu tudo o que aconteceu. O que foi bom, aconteceu. Mas o que foi ruim, também. Não devo me esquecer disso. Não posso me esquecer de como fui tratada, de tudo o que aconteceu. Tenho que manter tudo vivo na minha mente, de forma que não me atrapalhe, que me deixe continuar, e que eu não esqueça, pra que não aconteça de novo. Já faz quase um ano. Está mais do que na hora de eu seguir adiante.
Segui, e consegui, em algumas coisas. Aconteceram coisas que me fizeram trocar o apartamento por um carro. Eu ficar mais tempo em casa, acompanhando minha mãe, a questão da falta de dinheiro e da facilidade que um carro traria para conseguir outro emprego e guardar dinheiro para, dai sim, comprar o apartamento. Então comprei o carro. E consegui outro emprego. Agora continuo trabalhando todas as manhãs no meu antigo emprego e noites alternadas no hospital. 
O que posso dizer... Tá cansativo. Mas, tem seu lado bom. Estou conseguindo pagar minhas contas, estou mais independente e vencendo alguns medos, tenho dirigido bastante, no mínimo, o trajeto Campo Bom - Novo Hamburgo todos os dias. E dessa forma, quando não estou trabalhando, estou durmindo. Assim não tenho tempo pra pensar nem pra gastar dinheiro com coisas inúteis. Trabalho e durmo num dia. Trabalho, emendo os dois trabalhos e durmo no outro. 
Assim tem sido minha vida. Tá na hora de esquecer? Sinceramente, acho que eu nunca vou esquecer. Não era dessa vida, lembra? 
Mas então, o que fazer? Lembrar. E nunca relembrar. Aconteceu, lembrar do que foi bom como algo que passou. Passado. E que lá deve ficar. 

Seguir em frente? Acho que vou continuar assim. Estou seguindo em frente, sozinha, mas me fortalecendo e ficando cada vez mais independente. Assim que vou ficar. Sozinha, mas feliz.

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