segunda-feira, 15 de julho de 2013

Disritmia



E eu não curei o nêgoquenãoerameu e até tentei chegar de porre junto dele. Talvez, se ele fosse meunêgo quando estava de porre, fosse diferente. Enfim... Sambas (e a maioria das outras músicas) falam sobre amores impossíveis, histórias, ilusões, sonhos...

E desconfio que tudo isso é porque eu dormia de meias. E eu tava aprendendo a dormir sem. Sem meias e sem esquentar os pés gelados nos dele. Agora estou aprendendo a dormir sem ele.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu escolho caminhar

E já vai pra quatro meses. E o que sinto vem em ondas. Na primeira senti algo parecido com desprezo, nojo. Na que veio depois senti tristeza. Depois esperança, tentei de novo, acreditei de novo. Me decepcionei de novo. Dessa vez foi diferente. Mais calmo. Mais confiante. Parecia certeiro, definitivo. E terminei. Me livrei de todas as amarras. Decidi começar, finalmente, a pensar em mim. Por mim. Só. Descobri que estar sozinha não é o fim do mundo. Não é desesperador. Também não é apavorante. É algo diferente, uma nova experiência. Algumas pessoas viajam para algum lugar distante, outras fazem uma espécie de retiro espiritual, algumas um novo emprego, uma nova função, uma nova paixão. Cada um se encontra de alguma forma. Eu comecei a me encontrar quando achava que estava tudo perdido. Vamos do começo? Eu era bem nova e acreditei que tinha encontrado o amor da minha vida. Me entreguei totalmente. Quase quatro anos depois, a história não acabou muito bem, traições e falta de amor. Talvez fosse cedo pros dois e ambos se iludiram. Enfim. Passei 7 anos como que inconscientemente fugindo de compromissos. Um namorado era mais velho, tio de uma amiga, o outro era mais novo, bem mais novo, amigo do irmão. Nenhum daria em nada. Talvez por isso permiti que se aproximassem. Talvez esse seja o motivo de só me envolver com os piores.  Tudo isso disfarçado com aquela fantasia adolescente que o lado mau cria, que o ruim é interessante.
Até que, mais de 7 anos depois, um desses “caras maus”, que não daria em nada, me cativou de um jeito diferente. Um acúmulo de situações que me deixaram mais suscetível, a morte do meu irmão ainda recente, a gravidez de minha mãe e depois a perda dos bebês, perda de uma amiga. Tudo isso acontecendo e surge um cara que é pai, que me trata um pouco como pai, me corteja, me adora, cuida de mim, me leva pra passear e comer batatinha frita, depois fica comigo deitada no colo, me fazendo cafuné. Passa a tarde na cama comigo ouvindo um show que acontece lá fora. Me escuta, parece me entender e me apoiar. E, 1 ano 8 meses e 20 dias depois, depois de muita insistência, vou morar com ele. E daí pra frente, são 8 meses, exatos 8 meses onde achei que eu tivesse um lar. Achei que eu tivesse dando pra ele e pro filho dele um lar. Na verdade, agora percebo que não era o que ele queria e que me iludi. Ele não queria uma casa. O estilo de vida dele é outro. Ele pode ter "querido querer". Mas não adianta forçar algo quando não é o que o coração quer. E eu me iludi, com uma casa que não era minha, um filho que não era meu e, agora sei, um marido que também não era meu.
E não sei bem o que pensar disso. Ainda vem em ondas. Numa, em que eu penso ainda com nojo de tudo, com raiva, lembrando do jeito que ele me tratou, das traições, das limitações, do controle. Em outra, lembro com carinho e saudades, eu gostava de acordar e passar o dia pra ele. E então vem uma terceira, onde quase tenho pena e acho que ele tentou, mas meio que me escondia dos outros, ou queria que eu fosse uma dessas lindezas pra mostrar pros outros que tem do lado nos shows. Lembro dele me pedindo uma filha, a Cecília, deitado na cama, alisando minha barriga, criando fantasias. E agora isso me deixa triste. Fantasias ou lembranças de quando a ex-mulher estava esperando o filho? Ainda é um misto de sentimentos. Raiva, saudade, nojo, carinho, falta.
Não sei o que ele pensa, o que ele lembra, se pensa nem se lembra. Não sei se quero pensar nisso, se quero saber as respostas. Acho que não. Acho que ele tem agora tudo o que ele quer: liberdade. Pode ser o rockstar, droga, bebida, sexo à vontade. Sem ninguém pra controlar. E o estranho é que eu nunca controlei. Achei que estivesse fazendo certo deixando livre. Só exigi uma coisa: nada de drogas. Mas a bebida, não consegui.  Ou não conseguiu. Até acreditei que a gente tivesse sido feliz por um tempo. Eu achei que, apesar de tudo, eu era. E fazia ele feliz. Que outra namorada deixaria o gato ir fazer um show em outro estado, outra cidade, sozinho e ficaria em casa sozinha esperando ele com a casa limpa, de lingerie nova? Ou esperaria ele voltar de um ensaio: “Só vou ali e em uma hora tô de volta”, dai uma mensagem que ia passar num bar com um amigo que tinha se separado e mesmo assim, ficou ali, esperando e sem reclamar? Que conviveu com ex-mulher, ex-namorada, ex-ficante, ex-peguete? E nunca nem fez menção de destratar? Pra mim, se é ex, é ex. Não tem mais nada. Ou será que ele queria o contrário? Que fizesse fiasco e ceninhas?
E isso que eu tenho que acreditar agora. Nisso que eu tenho que pensar. É ex. Ex-namorado, porque marido nunca chegou a ser.  Tenho que me livrar de toda e qualquer lembrança. Isso tá me fazendo mal, me impedindo de continuar. Por que daria mais uma chance? Não tem porquê. Ninguém daria. A não ser que queira continuar sendo daquelas mulheres submissas, que não tem voz, que não tem vez. Que vivem a sombra de seus maridos, estes sim, que fazem tudo o que querem. Esses talvez sejam felizes. Mas me lembram dos tiranos, dos imperadores com suas mil mulheres.
Outra coisa. Ele não ia querer de novo. Como ele mesmo disse, não tinha nada, contato nenhum com nenhuma ex. Só com a mãe do filho dele, justamente pelo filho. Outra mentira. Agora eu sei que sim, ele tem contato com várias ex. Mas, que eu seja digna! Se pra mim ele falou que não tem contato com ex, e ele me tornou uma ex, então, não posso ter contato com ele. E, estranho, mas isso de ex só servia pra ele. Várias das brigas e o que me levou ao status de puta burra foram ex. Por que pra ele ex é ex e pra mim não era? Ainda naquilo de acreditar em mim, de amor próprio e tudo. Eu tenho que me valorizar, me respeitar.
Tá na hora de acordar, de crescer? Então, vamos lá. Toda essa história que tem passado na minha cabeça, de ficar sozinha pra sempre, de não ter filhos nunca, quem sabe? Que diferença isso faria? Agora, nenhuma. Agora eu tenho que pensar em mim. Nas minhas coisas. Em fazer a minha vida. Não posso ficar presa ao passado. Admito que antes, tinha um objetivo, tinha porquê fazer tudo o que eu fazia. Era bom. Mas, se não era bom pra todos... Talvez seja mesmo melhor assim. Depende do que farei daqui pra frente.
Sei que não posso me deixar abater. Sei que não posso me entregar. Sei que a carência ainda vai bater forte, e vou sentir vontade de fazer muita besteira. Mas sei também que eu tenho que me controlar. Que só eu posso controlar minha vida. E que sei o que eu devo fazer.
É só fazer, né? Não é tão fácil. Mas, é um começo. Saber por onde ir. Saber o que vai acontecer, o que pode acontecer. Então, só cabe a mim. E vou fazer de tudo pra seguir em frente. Pra fazer a minha vida. Pra acertar nas minhas escolhas. Preciso disso. E vou conseguir.

Ainda vou ser muito feliz. Sei que o que é meu tá guardado. Basta eu seguir o caminho e procurar no lugar certo. Escolhas. Eu escolho caminhar. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Saudade é coisa bem estranha

E não quero tudo aquilo de novo. Não aguentaria, mesmo que fossem só as partes boas. É saudade de um certo tipo de companhia. Saudades da barriga, encaixada na minha curvinha das costas, do abraço quente de polvo, das cosquinhas, do peso da coxa em cima das minhas, da respiração no meu cabelo. Saudades de algo que não vai mais existir e que às vezes, mas só às vezes, faz falta e a gente sente saudades. Mas, vai passar. Assim como muitas outras saudades já passaram.